[ Reportagens ]
A vez dos servidores
Queda de preços leva pequenas empresas a substituir computadores improvisados por servidores autênticos
Queda de preços leva pequenas empresas a substituir computadores improvisados por servidores autênticos
Dólar estável, negócios em alta entre as pequenas empresas e preços dos servidores em baixa. Esses fatores todos somados ao fato de que os empresários agora entendem a necessidade de se estruturar tecnologicamente para manter o crescimento de suas companhias não poderiam compor um cenário mais adequado para a renovação da infra-estrutura de TI também nas organizações de pequeno porte.
Como indicadores e especialistas de mercado sugerem, os gestores de pequenas empresas no Brasil estão antenados à tendência e investindo significativamente em servidores de forma a profissionalizar suas estruturas de tecnologia.
Em 2006, de acordo com Reinaldo Roveri, analista sênior da IDC Brasil, o maior crescimento na área de servidores se deu exatamente pela troca da base instalada dos chamados “PC-servers” por equipamentos conhecidos como “branded-servers”. Isso significa que as empresas no país trocaram aqueles desktops velhos que atuavam como servidores por equipamentos de marca, fabricados por companhias como Dell, HP, IBM, Itautec e Sun, entre outras.
Roveri revela que o mercado de servidores x86 – aqueles que rodam processadores AMD ou Intel –, que custam até 25 mil dólares, cresceu 26% em número de novas unidades comercializadas no período entre 2005 e 2006. Queda de preços leva pequenas empresas a substituir computadores improvisados por servidores autênticos.
“O preço médio desses equipamentos caiu muito e isso tem motivado as pequenas empresas a efetuar a troca”, explica Roveri. Segundo ele, à medida que os fabricantes buscam competitividade em preço, usam processadores menos potentes em seus servidores e, como os chips utilizados em PCs estão cada vez mais poderosos, usar o desktop em lugar do servidor pode até dar no mesmo, em matéria de desempenho.
No entanto, diz o analista, o nível de serviço vendido juntamente com o servidor é geralmente melhor do que o oferecido junto com o PC. “Além disso, muda também o tratamento dado ao consumidor. Ele passa a ser visto pelo fabricante como um cliente que usa servidores e que, portanto, já repensa sua infra-estrutura para suportar o crescimento de seu negócio”, afirma Roveri.
Apesar disso, o especialista alerta que o preço de entrada anunciado pelo fabricante dificilmente é praticado. “O cliente acaba adquirindo uma licença de software, mais memória, serviços e garantia estendida, por exemplo, para atender às suas necessidades”, diz Roveri. “O pequeno empresário precisa tomar cuidado para não acreditar que por 2 mil reais terá o servidor para atender à toda demanda de sua empresa”, conclui.
Por outro lado, com a redução dos preços praticados no mercado de servidores, o pequeno e o médio empresário também buscam esse equipamento como uma credencial para o seu negócio. “Eles já podem dizer que têm uma rede estruturada, baseada em servidores, e isso lhes garante muito mais confiabilidade por parte de seus clientes”, garante Roveri.
“Essa mudança no mercado de servidores permite ao pequeno empresário começar a pensar em sistemas de gestão, soluções de gerenciamento da relação com clientes (CRM) e até começar a ensaiar um e-commerce dentro de casa”, completa.
A IDC Brasil prevê que a tendência de aumento nas vendas de servidores para pequenas empresas continue em 2007. “A troca de PC-servers por brandedservers continuará. E a queda de preço dos processadores de dois e quatro núcleos também deve contribuir para o aumento do desempenho dos servidores de baixo custo”, prevê o analista.
Segundo a IT Data, no mercado brasileiro quem puxou o crescimento no número de unidades vendidas foram as pequenas empresas. “As companhias comaté 150 funcionários, por exemplo, responderam por 40% das unidades vendidas (100 mil comercializadas no Brasil)”, revela Ivair Rodrigues, diretor de pesquisas da IT Data.
Quem está empregando hoje no Brasil são as pequenas e micro empresas. Novos funcionários demandam novos computadores e, conseqüentemente, mais servidores. “As empresas compram máquinas à medida que têm mais pessoas para utilizá-las”, explica Rodrigues.
Ele acredita que, com o barateamento dos servidores, boa parte dos desktops mais sofisticados, até então utilizados como servidores, deixou de ser vantajosa. “Na hora de colocar tudo no papel, sai mais barato comprar um servidor”, afirma o analista.
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